Utilidade Pública / Transmissão de Energia · dados de 2026-09-15 10:31 · ⚠ divergência leve
Confiança do consenso: média · faixa dos métodos: R$ 16,35 a R$ 48,93 · consenso por família: renda R$ 19,19, lucro R$ 35,98, patrimonio R$ 32,65, fluxo_caixa R$ 33,09 (a mediana usou só as duas do meio — renda e lucro ficaram fora) · DY no preço teto: 8,66% (hoje: 6,77%)
| Método | Preço | Como foi calculado | O que significa |
|---|---|---|---|
| bazin | R$ 22,03 | DPA de R$ 1.8506 exigindo DY de 8.40% | Preço no qual o dividendo atual entrega o DY que exigimos de uma ação. |
| gordon | R$ 16,35 | DPA R$ 1.8506, crescimento 6.0% a.a., desconto 18.00% | Valor presente dos dividendos futuros, descontados à Selic + prêmio. |
| graham | R$ 48,93 | LPA R$ 3.54 e VPA R$ 30.07 | Fórmula clássica de Graham. A mais permissiva no Brasil de juro alto. |
| multiplo pl | R$ 23,04 | P/L mediano de 6.51 (8 anos) sobre base de R$ 3.54 | Preço se a ação voltar ao P/L típico da sua própria história. |
| multiplo pvp | R$ 32,65 | P/VP mediano de 1.09 (8 anos) sobre base de R$ 30.07 | Preço se a ação voltar ao P/VP típico da sua própria história. |
| dcf damodaran | R$ 33,09 | fluxo de caixa da firma, média dos 3 cenários (sensibilidade R$ 22.37–54.18) | Valor presente de 10 anos de caixa projetado (método Damodaran). É o único método que olha para frente em vez de extrapolar o passado. |
Premissas: Selic 14,00% · DY alvo 8,40%
· desconto 18,00% · crescimento usado
6,00% · DPA base R$ 1,8506
= mediana de (12M: R$ 1,8506 · média 5a:
R$ 2,3763 · normalizado:
R$ 1,8434) · LPA base R$ 3,54 = mediana de (último ano: R$ 3,48 · meio de ciclo: R$ 3,76 · trimestre anualizado: R$ 3,54).
Ajuste em config/valuation.json.
Fluxo de caixa livre da firma (FCFF) — Projeta a receita, a margem e o quanto a empresa precisa reinvestir para crescer. Chega ao valor da empresa inteira e subtrai a dívida — o que sobra é do acionista.
⚠ A margem EBIT alvo (73.3%) está 29.4 p.p. acima da margem do último ano (43.9%). O modelo assume que ela volta à mediana histórica — em setor cíclico isso é uma aposta no ciclo, não uma constatação.
46% do valor está na perpetuidade — no que acontece DEPOIS do ano 10. Quanto maior essa fatia, mais o número depende de fé e menos de conta.
| Custo de capital ↓ / Crescimento perpétuo → | -2 p.p. | -1 p.p. | +0 p.p. | +1 p.p. | +2 p.p. |
|---|---|---|---|---|---|
| -2 p.p. | 40,48 | 42,67 | 45,45 | 49,11 | 54,18 |
| -1 p.p. | 34,71 | 36,20 | 38,07 | 40,48 | 43,70 |
| +0 p.p. | 29,91 | 30,88 | 32,11 | 33,69 | 35,77 |
| +1 p.p. | 25,85 | 26,43 | 27,19 | 28,19 | 29,50 |
| +2 p.p. | 22,37 | 22,66 | 23,07 | 23,63 | 24,41 |
Cada célula é o valor por ação se aquela premissa mudar. A célula contornada é o cenário base. Verde = acima do preço de hoje, vermelho = abaixo. Se o preço atual cabe dentro da matriz, o mercado não está errado — você está escolhendo em qual célula acredita.
Para o preço de hoje ser o valor justo, o crescimento teria que ser -6.84 p.p. do que assumimos, ou o custo de capital +0.97 p.p..
| Ano | Cresc. % | Margem % | EBIT (bi) | NOPAT (bi) | Reinvest. (bi) | Caixa livre (bi) | A valor de hoje (bi) |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2,12 | 46,84 | 4,5 | 3,7 | 0,8 | 2,9 | 2,5 |
| 2 | 2,12 | 49,78 | 4,9 | 4,0 | 0,9 | 3,2 | 2,4 |
| 3 | 2,12 | 52,72 | 5,3 | 4,3 | 0,9 | 3,5 | 2,3 |
| 4 | 2,12 | 55,66 | 5,7 | 4,7 | 0,9 | 3,8 | 2,2 |
| 5 | 2,12 | 58,61 | 6,1 | 5,0 | 0,9 | 4,1 | 2,1 |
| 6 | 2,80 | 61,55 | 6,6 | 5,4 | 1,2 | 4,2 | 1,9 |
| 7 | 3,47 | 64,49 | 7,2 | 5,9 | 1,6 | 4,3 | 1,7 |
| 8 | 4,15 | 67,43 | 7,8 | 6,4 | 1,9 | 4,5 | 1,6 |
| 9 | 4,82 | 70,37 | 8,5 | 7,0 | 2,3 | 4,7 | 1,4 |
| 10 | 5,50 | 73,31 | 9,4 | 7,7 | 2,8 | 4,9 | 1,3 |
Checagem interna do modelo: diferença de
R$ — entre somar o caixa
recebido e somar o excedente sobre o custo de capital — as duas contas têm que
dar o mesmo número. Premissas em config/dcf.json.
Meses em que o ativo pagou nos últimos 3 anos, com o valor médio bruto por ação naquele mês. DPA dos últimos 12 meses: R$ 1,8506 · média dos últimos 5 anos fechados: R$ 2,3763.
| Ano | DY % | Payout % | ROE % | P/L | P/VP | Lucro líq. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2026 | — | — | — | — | — | 1,32 B |
| 2025 | 11,93 | 87,23 | 11,57 | 7,91 | 0,92 | 2,51 B |
| 2024 | 0,00 | 44,31 | 17,75 | 4,63 | 0,82 | 3,55 B |
| 2023 | 8,32 | 26,30 | 16,35 | 6,56 | 1,07 | 2,89 B |
| 2022 | 4,62 | 5,41 | 13,98 | 7,15 | 1,00 | 2,32 B |
| 2021 | 14,76 | 102,05 | 20,96 | 5,66 | 1,19 | 3,04 B |
| 2020 | 6,26 | 22,30 | 24,44 | 5,82 | 1,42 | 3,38 B |
| 2019 | 6,69 | 53,74 | 14,94 | 9,01 | 1,35 | 1,78 B |
| 2018 | 18,17 | 117,43 | 17,00 | 6,46 | 1,10 | 1,88 B |
| 2017 | 4,54 | 49,87 | 12,43 | 8,61 | 1,07 | 1,37 B |
| 2016 | 2,32 | 2,38 | 48,75 | 2,31 | 1,13 | 4,93 B |
Lucro de 2025 conferido contra a DFP oficial (CVM): diferença de 0,00%.
| Verificação | Investidor10 | Oficial (B3/CVM) | Diferença | Status | Obs. |
|---|---|---|---|---|---|
| cotacao vs B3 | 27,28 | 27,32 | 0,15% | ok | B3 em 2026-09-15 10:14:00 |
| ROE vs CVM (anualizado, aproximado) | — | 11,77 | — | atencao | valor ausente em uma das fontes |
Data da análise: 04/08/2026 (rev. 2 — descruzamento da IE Madeira + resultado do 2T26) · Preço de referência: R$ 26,90 Tipo: Ação (Utilidade Pública / Transmissão de Energia) · Contexto macro: Selic 14,25% · CDI 14,71% (12M) · IPCA 4,64% Verificação de dados: ⚠ atenção ⚠ Fonte do preço: a API de cotação da B3 está fora do ar desde 29/07/2026 (HTTP 520). O preço acima vem do Investidor10, conferido contra o Yahoo Finance no fechamento de 03/08 (R$ 26,84 — diferença de 0,22%).
Por que esta revisão existe: Fato Relevante de 31/07/2026 (conclusão do descruzamento IE Madeira / IE Garanhuns) + resultado do 2T26 divulgado em 03/08/2026, com lucro de R$ 173,9 mi, −32% a/a.
| Indicador | Atual | Leitura |
|---|---|---|
| P/VP | 0,83 | Mediana de 8 anos: 1,02. Pós-oferta, ~0,85 |
| P/L | 7,56 | Sobre lucro em queda — ver abaixo |
| DY 12M | 6,88% | Menos da metade do CDI (14,71%). Foi zero em 2024 |
| ROE (2025) | 11,6% | Contra custo de capital próprio de ~18,3% — destrói valor |
| VPA | R$ 32,10 | Pós-oferta, ~R$ 31,78 |
| Despesa financeira / EBIT | 43,5% | Era 24,3% em 2024 |
| 2019 | 2020 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| ROE | 14,9% | 24,4% | 21,0% | 14,0% | 16,3% | 17,7% | 11,6% |
| Lucro (R$ bi) | 1,78 | 3,38 | 3,04 | 2,32 | 2,89 | 3,55 | 2,51 |
| DY | 6,7% | 6,3% | 14,8% | 4,6% | 8,3% | 0,0% | 11,9% |
| Payout | 50,3% | 20,9% | 95,8% | 5,1% | 24,6% | 41,5% | 81,7% |
O dividendo é irregular — este é o fato que mais importa para uma carteira de renda. Em todo o ano de 2024 não houve uma única data-ex de provento, apesar de o lucro daquele ano (R$ 3,55 bi) ter sido o maior da década. Em 2026, o acumulado até abril é de R$ 0,925/ação, contra R$ 3,286 no ano de 2025.
A margem caiu cinco anos seguidos, e essa é a variável que decide o valuation: 80,2% (2021) → 64,0% → 63,4% → 64,4% → 43,9% (2025), e 49,1% no 1T26. A receita, em contrapartida, subiu 51% em dois anos (R$ 6,2 bi → R$ 9,4 bi): o problema não é operacional no sentido de perder cliente — é composição de receita e custo financeiro.
Onde o lucro está sendo consumido: a dívida bruta dobrou em três anos (R$ 8,04 bi em 2022 → R$ 16,01 bi em 2025 → R$ 16,30 bi no 1T26) e a despesa financeira subiu +44% em 2025 (R$ 1,25 bi → R$ 1,80 bi), rodando a ~R$ 2,27 bi anualizados no 1T26. O resultado do 2T26 (R$ 173,9 mi, −32% a/a) foi atribuído pela imprensa especializada exatamente a isso (InfoMoney e Money Times, 03/08/2026). Somando com o 1T26 (R$ 619,1 mi), o 1S26 dá ~R$ 793 mi — anualizado, ~R$ 1,6 bi contra R$ 2,51 bi em 2025.
Ressalva de dado: a série da CVM registra fluxo de caixa operacional negativo em 2024 (−R$ 181 mi), 2025 (−R$ 1,22 bi) e 1T26 (−R$ 367 mi), períodos em que foram pagos R$ 1,24 bi, R$ 1,70 bi e R$ 413 mi de proventos. Em concessões de transmissão a contabilidade de ativo de contrato (ICPC 01) distorce a linha de FCO, então não trato isso como prova de que o dividendo é financiado por dívida — mas é um sinal que precisa ser conferido no release completo antes de qualquer decisão de compra.
Descruzamento IE Madeira / IE Garanhuns (FR de 31/07/2026) — fonte primária: - Pagamento de torna à AXIA Energia de R$ 1.167.482.350,00. - Passa a consolidar 100% da IE Madeira a partir de agosto/2026: RAP líquida de PIS/COFINS de R$ 796,7 mi (ciclo 2026/27), EBITDA regulatório de R$ 660,1 mi, dívida líquida de R$ 588,2 mi. - Deixa de contabilizar por equivalência a IE Garanhuns: RAP líquida de R$ 165,3 mi, EBITDA regulatório de R$ 134,2 mi. - Saldo: +R$ 631,4 mi de RAP líquida e +R$ 525,9 mi de EBITDA regulatório ao ano — ~+12,7% sobre o EBIT consolidado de 2025. Custo total (torna + dívida assumida) de R$ 1.756 mi = 3,3x EBITDA. - O FR não informa a fatia que a companhia já detinha na Madeira, então parte desse EBITDA pode já estar proporcionalizada. E o efeito de 2026 é de apenas 5 meses.
Oferta pública (24/07/2026): 44.444.444 novas PN a R$ 27,00, R$ 1,2 bi, com demanda que dobrou o lote inicial. Diluição de +6,3% a +6,7%. Os recursos cobrem quase integralmente a torna — a aquisição foi paga com equity, não com dívida nova. A ação caiu 7% no dia da precificação (InfoMoney, 24/07/2026), e a controladora ISA Capital, que sinalizara subscrever até 35,81%, não participou. O Morgan Stanley rebaixou o papel para neutro em 02/06/2026, "citando falta de catalisadores".
| Risco | Severidade | Monitorar |
|---|---|---|
| Fim do componente financeiro da RBSE em jul/2028 (−80% de R$ 2,2 bi de receita) | Alta | Guidance de RAP; releases trimestrais; relatórios da Fitch |
| Alavancagem subindo (pico projetado de 4,4x em 2029) com FCF negativo | Alta | Dívida líquida/EBITDA; rating |
| Despesa financeira consumindo 43,5% do EBIT | Alta | Selic vs. parcela CDI da dívida |
| Dividendo irregular (zero em 2024) | Média/Alta | Política de proventos declarada |
| Nova diluição após a oferta de jul/2026 | Média | Fatos relevantes de oferta |
| Fluxo de caixa operacional negativo na série CVM | Média | Conferir no release completo (ICPC 01) |
Nota dividendos: 4,0/10 · Nota valorização: 5,0/10 · Nota qualidade: 5,0/10 · Recomendação: Neutro Perfil: apenas para quem quer exposição a transmissão com horizonte longo e aceita o degrau de 2028. Não serve como pilar de renda mensal — pagou zero em 2024.
Esta revisão é a que mais muda de conteúdo, porque o urso trouxe um dado que reconcilia tudo e que não estava nas análises anteriores: o componente financeiro da RBSE acaba em julho de 2028 e leva 80% de uma receita de R$ 2,2 bi (Fitch, 17/07/2026). Isso resolve a discussão central do valuation. O touro está aritmeticamente certo ao dizer que 73,3% é a mediana histórica da margem EBIT — mas essa mediana é alta porque inclui os anos de RBSE cheia. A margem não caiu cinco anos seguidos por acaso: ela está convergindo para o nível pós-RBSE. Logo, a premissa que sustenta o DCF de R$ 34,25 é justamente a que a evidência contradiz, e o modelo ainda por cima roda com contagem de ações e dívida pré-oferta — corrigido isso, o valor base cai para ~R$ 29,7 e o preço com margem de segurança vai para R$ 23,8, abaixo do mercado.
Do lado positivo, e é real: a consolidação da IE Madeira adiciona ~R$ 526 mi de EBITDA regulatório a 3,3x, paga com equity e não com dívida; o P/VP de 0,83 é genuinamente baixo para receita regulada; e a queda da Selic ataca diretamente a linha que derrubou o lucro — cada 1 p.p. vale ~R$ 160 mi/ano. Se a companhia atravessar 2028 com o capex convertido em RAP nova, a tese funciona.
O que não funciona é comprar isso como ativo de renda, que é o objetivo desta carteira: DY de 6,88% contra CDI de 14,71%, dividendo zero em 2024 e fluxo mensal caindo 82% de 2025 para 2026. A nota de renda cai para 4,0. E o sinal mais eloquente do trimestre não veio de modelo nenhum: a controladora sinalizou subscrever até 35,81% da oferta e não subscreveu nada.
Mudança vs. revisão anterior (25/07): dividendos 5,5 → 4,0; valorização 6,5 → 5,0; qualidade 6,0 → 5,0; recomendação Neutro mantida. As três notas caem pelo mesmo motivo — o degrau da RBSE em 2028 passou a ser explícito na análise.
Gatilhos que mudariam a tese: 1. Guidance de RAP para o pós-2028 mostrando reposição integral da indenização da RBSE → reavaliar para cima, é o único dado que destrava a tese. 2. Política de dividendos declarada e cumprida por dois anos seguidos → passa a servir para renda. 3. Dívida líquida/EBITDA acima de 4,0x recorrente ou nova oferta de ações → Evitar.
Fontes: Investidor10 e Yahoo Finance (preço, 03/08/2026 — B3 indisponível), Fato Relevante de 31/07/2026 (descruzamento IE Madeira/IE Garanhuns, IPE/CVM), Fato Relevante de 24/07/2026 (preço da oferta), Relatório de rating Fitch da 24ª emissão (17/07/2026), CVM DFP 2025 e ITR 1T26, histórico Investidor10 (10 anos), Boletim Focus/BCB (31/07/2026), InfoMoney e Money Times (03/08/2026 e 24/07/2026).
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